Deputados presentes à audiência pública da Comissão de Fiscalização
Financeira e Controle divergiram nesta quarta-feira (31) sobre o fim da
exigência de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
para o exercício da advocacia. A comissão promoveu audiência pública
sobre as propostas que tramitam na Câmara para acabar com o exame.
Enquanto
alguns deputados consideram que o exame da OAB penaliza o estudante e
não resolve o problema de baixa qualidade no ensino e de excesso de
cursos de Direito no País, outros defendem a manutenção do exame para
atestar a competência do profissional. O secretário de Educação Superior
do Ministério da Educação (MEC), Amaro Henrique Lins, disse que o MEC
apoia a exigência da prova e tudo aquilo que vier se somar para mais
qualidade no sistema educacional. Na sua visão, o exame profissional é
complementar à formação universitária. A última tem caráter mais
humanista e a primeira mais profissional.
Amaro Lins afirmou que
o MEC estuda a mudança dos mecanismos para a criação de cursos em
faculdades no Brasil. A proposta de criação de um curso não seria mais
feita no balcão do ministério, mas a partir de editais, elaborados com
base em estudos sobre as demandas educacionais e profissionais do País.
Se há excesso em vagas no Direito hoje, vamos apontar locais em que os
cursos ainda são necessários, onde ainda há demanda de advogados,
exemplificou.
Segundo ele, as prioridades do ministério são a supervisão e a avaliação da qualidade do ensino no Brasil.
Parâmetros diferenciados
O
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que solicitou a audiência, destacou
que a advocacia é única profissão que exige aprovação em exame de
conselho de classe para ser exercida. É a única profissão em que o
profissional se forma e não pode exercer a profissão, disse. Cunha é
autor de um dos projetos que pedem o fim do exame (PL 2154/11). Na
Câmara, tramitam, em conjunto, 18 propostas sobre o assunto.
De
acordo com o deputado, o argumento da OAB para a manutenção do exame é a
baixa qualidade dos cursos de Direito do País. Mas nenhum curso é
criado no Brasil sem ser ouvida a opinião prévia da OAB, salientou. A
OAB culpa o governo e o governo se omite, completou. O parlamentar disse
ainda que considera o exame um caça-níqueis. Conforme ele, a prova tem
pegadinhas, e existe uma verdadeira indústria de cursos de preparação
para o exame.
Rigor com cursos
Na opinião de
alguns deputados, como Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Edson Santos (PT-RJ),
para garantir a qualidade no exercício da advocacia no Brasil, é preciso
melhorar o ensino nas faculdades de Direito. O governo deve ter coragem
de fechar faculdades, disse Caiado. É a faculdade que deve ser
penalizada, não o jovem, completou Santos.
O deputado Sibá
Machado (PT-AC) lembrou que o Brasil tem o maior número de cursos de
Direito no mundo e disse que a qualidade deles é duvidosa. O presidente
da Comissão de Fiscalização, deputado Edmar Arruda (PSC-PR), também
criticou o alto número de cursos. Precisamos ser mais rigorosos na
aprovação dos cursos, afirmou. Já o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO)
destacou o baixo percentual de aprovação no exame da Ordem. Na visão
dele, isso ocorre porque o ensino é ruim. Não é a prova da OAB que vai
transformar esses graduados em bom profissionais, ponderou.
Exame por tempo limitado
O
deputado Gabriel Guimarães (PT-MG) defendeu a exigência do exame: Em um
mundo ideal, teremos condição de fiscalizar com cuidado cada um dos
cursos, e não por amostragem. Antes disso, temos que proteger a
sociedade, garantindo que haverá um bom exercício da advocacia. Os
deputados José Mentor (PT-SP) e Vicente Candido (PT-SP) também
defenderam a manutenção do exame. Tem que ter esse tipo de cuidado de
atestar a competência do profissional nesta e em outras categorias,
afirmou Cândido.
O deputado Hugo Leal (PSC-RJ) também foi
favorável à existência da prova, mas apontou que é preciso analisar
detalhes sobre a aplicação do exame, como o valor de inscrição. Ele
também disse ser necessário investigar a existência de irregularidades.
Algumas mazelas precisam ser enfrentadas e situações dentro do exame
precisam ser mudadas, destacou.
Agência Câmara de Notícias
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Deputados divergem sobre o fim do exame da OAB
Added Jan 6, 2010,
Autor: Reportagem -Lara Haje , Edição- Mariana Monteiro
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