Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil
Brasília
Em sessão bastante disputada, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a
discutir hoje (31) a validade de leis do Rio Grande do Sul e de São
Paulo que proíbem o uso do amianto nos estados. Substância considerada
cancerígena e prejudicial ao meio ambiente, a utilização e exploração do
amianto provoca polêmica por envolver interesses políticos e
econômicos.
O amianto é uma fibra mineral natural bastante fina e
durável, usada na construção civil como revestimento e isolante em
coberturas, telhados e galpões. No Brasil, a legislação permite o uso
controlado apenas do amianto do tipo crisotila, proibindo os demais.
Apesar
dos efeitos positivos da substância para a economia nacional geração de
empregos, exportação, barateamento de materiais de construção -, os
efeitos da exposição ao material são contestados por órgãos de saúde e
entidades ambientais.
O amianto foi considerado cancerígeno pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1977. O órgão atesta que um terço
dos cânceres ocupacionais são causados pela inalação das fibras. Em
1986, uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
ratificada pelo Brasil, já pregava o fim do uso do amianto.
Atualmente,
cinco estados brasileiros proíbem a extração, comercialização e uso do
amianto: São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e Mato
Grosso. No Paraná e na Bahia, também já há movimentação nas casas
legislativas estaduais para eliminar a fibra. Goiás é o estado com a
maior mina em produção atualmente, localizada na cidade de Minaçu.
As
ações no STF alegam que os estados não têm autonomia para tratar de
assuntos já normatizados em escala nacional. A Lei Federal 9.055/1995,
que permite o uso controlado do amianto crisotila, também está sendo
questionada na Suprema Corte, mas o assunto não veio a plenário hoje por
falta de quórum - o ministro Antonio Dias Toffoli não poderia
participar do julgamento da lei federal por ter ocupado o cargo de
advogado-geral da União antes de chegar ao STF.
O jogo de
interesses que envolve a questão do amianto levou o relator de uma das
ações, ministro Março Aurélio Mello, a convocar duas audiências públicas em
agosto para a exposição de motivos científicos e técnicos das correntes
contrárias e favoráveis. Entre dezenas de expositores, nem mesmo os
representantes do Executivo Federal apresentaram consenso.
O
embate entre defensores e críticos da fibra se repetiu na primeira parte
da sessão de hoje. De um lado, advogados de fabricantes de amianto e
produtos derivados e de trabalhadores que temem perder o emprego com a
eliminação da substância. Do outro, representantes do Ministério
Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de trabalhadores
doentes devido à exposição ao amianto, além de industriais que produzem
revestimento sem o uso da fibra.
O ministro Carlos Ayres Britto,
relator da ação sobre o caso do Rio Grande do Sul, votou pela validade
das leis estaduais Neste momento, o ministro Março Aurélio Mello,
relator da ação sobre São Paulo, prefere seu voto. As decisões de hoje
podem ser aplicadas automaticamente em outros casos semelhantes, mas os
efeitos só serão modulados pelos ministros no final do julgamento.
Durante o intervalo, Britto disse que pretende encerrar o julgamento das
ações ainda hoje. O julgamento pode ser interrompido se algum ministro
pedir vista.
Edição: Carolina Pimentel
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Polêmica sobre uso do amianto movimenta sessão do STF
Added Jan 6, 2010,
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