Rejeição de servidores a reajuste menor faz STF ainda tentar saída a veto de Dilma
Durante
ato da Semana da Indignação , servidores são recebidos por presidente
do STF, que diz que tema será tratado em reunião com líderes partidários
Apesar de ter enviado em outubro ao Ministério do Planejamento
uma revisão da proposta orçamentária que se adéqua ao corte imposto pela
presidenta Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal afirmou que não
desistiu de buscar uma saída para superar o veto do governo petista ao
projeto de lei que aumenta a GAJ (Gratificação de Atividade Judiciária)
para 100% do salário-base até 2015. Isso é reflexo, avaliam lideranças
sindicais, da movimentação dos servidores do Judiciário Federal e do
MPU, que rejeitaram o rebaixamento da proposta, e dá mais peso à
mobilização nesta fase final de definições no Congresso.
Ao
receber representantes da federação nacional (Fenajufe) e do sindicato
de Brasília (Sindjus-DF) no início da noite de terça-feira (13), em meio
ao ato da categoria na capital federal, o ministro Carlos Ayres Britto,
presidente do STF, disse que o tribunal não desistiu do PL 4363/2012 na
íntegra, como foi enviado à Câmara no dia 31 de agosto. Representações
de mais de uma dezena de estados participaram da manifestação em
Brasília, que marcou a Semana da Indignação dos trabalhadores do
Judiciário e do MPU, numa contraposição à Semana Nacional de Conciliação
promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e que também teve
protestos de magistrados.
Reunião com relator do Orçamento
Na
audiência com Ayres Britto, ocorrida no CNJ, os representantes dos
servidores voltaram a criticar qualquer possibilidade de rebaixamento no
projeto e cobraram empenho do final da gestão dele neste sentido. O
ministro, que vai se aposentar nos próximos dias por atingir os 70 anos
de idade, disse que segue defendendo uma saída para o impasse criado
pelo veto do governo, que não aceitou o uso do saldo orçamentário
referente às funções comissionadas para fechar as contas do reajuste.
Participaram
da audiência no STF os coordenadores da Fenajufe Saulo Arcangeli,
Antônio Melquíades, Zé Oliveira, Ramiro López, e Cledo Vieira e o
diretor do Sindjus-DF Jailton Assis, de acordo com a Agência Fenajufe de
Notícias. Os servidores foram informados que o presidente do STF
receberá, na manhã desta quarta-feira (14), líderes de todos os partidos
e o relator da proposta orçamentária, senador Romero Jucá (PMDB-RR),
numa reunião que terá como pauta central, segundo ele, os reajustes de
servidores e magistrados.
A reportagem apurou que o deputado
Antonio Andrade (PMDB-MG), presidente da Comissão de Finanças e
Tributação da Câmara, onde o PL 4363 se encontra, deverá integrar a
conversa. Dirigentes da Fenajufe e do sindicato de Brasília foram
convidados a participar da negociação.
O impasse na aprovação do
projeto, decorrente da posição do governo, foi comunicado a dirigentes
da Fenajufe e do Sindjus-DF por Ayres Britto no final de setembro,
quando o ministro se comprometeu a tentar saídas para garantir o
reajuste. De lá para ca,
no entanto, não houve avanços: ao contrário, integrantes do Ministério
do Planejamento e o próprio senador Romero Jucá por mais de uma vez
chamaram a imprensa para dizer que não haverá nada além dos 5% anuais
sobre a folha de pagamento, nos próximos três anos.
Pressão deve continuar
A
reunião articulada pelo STF com os líderes partidários sinaliza que a
questão não está esgotada. É o que avaliou Antonio Melquíades, o Melqui,
dirigente do Sintrajud-SP e da Fenajufe, que participará da negociação.
Nem por isso, observou, é possível vislumbrar uma solução que não passe
pela mobilização dos servidores nas próximas semanas. "Os parlamentares
podem até concordar, mas se a Dilma continuar se posicionando contra,
não resolve", disse.
O dirigente sindical ressaltou ainda que,
de acordo com a direção-geral do STF, o Planejamento não estaria
totalmente fechado com a posição de vetar a GAJ a 100%, venham os
recursos de onde vierem. Isto reabre a possibilidade de os tribunais
superiores, que estarão representados na reunião com as lideranças
partidárias desta quarta, construírem uma alternativa orçamentária que
possa ser aceita pelo governo.
De todo modo, a única coisa que o
STF assegura que o governo concorda até aqui é com a GAJ de 90%,
baseado na aplicação dos 5% sobre a folha em três anos. É uma imposição
que, além de reduzir o reajuste, derruba o valor da primeira parcela do
projeto, a ser aplicada em janeiro próximo e que deveria ser superior às
duas seguintes. Isso coloca, observou Melqui, a pressão dos servidores
novamente no centro da possível reversão deste quadro.
Luta Fenajufe Notícias
Por Hélcio Duarte Filho
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Saiba como foi a audiência no STF, no dia nacional da indignação
Added Jan 6, 2010,
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