O grupo de trabalho instituído pelo Conselho Nacional de Justiça
(CNJ) para estudar as regras destinadas à seleção de novos juízes
analisará, durante reunião prevista para fevereiro, em Brasília, as
propostas de alteração da Resolução n. 75/2009, que trata do tema. Um
das sugestões elaboradas e a ser debatida é a que pode tornar nacional a
primeira fase dos concursos públicos para ingresso na magistratura.
A
juíza e ex-conselheira do CNJ Morgana Richa coordena os trabalhos do
grupo. Ela conta que as propostas que serão debatidas foram compiladas
pelo grupo de trabalho com base nas sugestões dos diversos tribunais
brasileiros, feitas em pesquisa realizada pelo Conselho sobre a
Resolução n. 75/2009. De acordo com a magistrada, uma das propostas mais
modificativas é justamente a que visa tornar nacional a fase objetiva
do concurso público para a carreira de juiz.
De acordo com a
magistrada, outra sugestão também a ser analisada é a que tornaria as
escolas nacionais da magistratura as responsáveis pela primeira etapa do
certame. Com relação às demais fases da seleção, a ideia é de que
continuem a ser conduzidas pelos próprios tribunais.
A hipótese
de propositura de os concursos serem nacionais ocorre na perspectiva
segundo o ramo do Poder Judiciário. Esse é um pedido dos próprios
tribunais. Vamos pôr em discussão também a possibilidade de as escolas
oficiais da magistratura realizarem as provas objetivas. Elas já são as
responsáveis pela formação dos juízes, mas não pela seleção deles. Isto
ficou muito claro na pesquisa que fizemos com os tribunais: a
participação delas é mínima, afirmou.
Morgana explica que ainda
terão de ser definidos os detalhes de como seria, na prática, um
concurso público de âmbito nacional destinado ao ingresso na carreira,
mas ela adianta que uma das ideias é de que a medida somente abranja os
tribunais que fizerem essa opção por meio de convênio com a escola da
magistratura responsável pelo certame.
Segundo a magistrada, a
intenção do conselheiro Lucio Munhoz, presidente da Comissão Permanente
de Eficiência Operacional e Gestão de Pessoas, órgão do CNJ responsável
pelo grupo de trabalho, é debater essas e as demais propostas de
alteração da Resolução n. 75/2009 com os tribunais, em um evento
previsto para ocorrer em março, em Brasília.
Somente após o
debate, Munhoz deverá submeter as propostas de adequação e alteração da
Resolução n. 75/2009 ao Plenário do CNJ, para aprovação. O conselheiro
quer discutir isso com os tribunais, possivelmente em um seminário. Esse
é um texto que tem propostas de mudanças estruturantes. A construção é
lenta, justamente porque precisa de maturação, explicou Morgana.
Percentual
Outra sugestão do grupo de trabalho para a adequação da Resolução n.
75/2009, segundo a ex-conselheira, diz respeito ao número de aprovados
para a segunda fase do concurso público, atualmente fixado pela
Resolução. Isso tem gerado muitos problemas, alguns tribunais têm
inclusive entrado com procedimentos administrativos no CNJ. Dependendo
do tamanho da Corte, realmente o número é pequeno. Nossa proposta é
fixar o percentual de aprovados para a etapa seguinte em até 20% do
número de inscritos, conforme definição dos tribunais. Isso
proporcionará maior maleabilidade aos tribunais para selecionar de
acordo com o quadro compatível com a sua necessidade, disse.
Levantamento
do grupo de trabalho apontou a existência, no CNJ, de 100 processos
questionando a Resolução n. 75/2009. Desses, 91 foram julgados. Para o
conselheiro Lucio Munhoz, a norma representou grande avanço ao
estabelecer regras para os concursos. A avaliação que faz, no entanto, é
de que são necessários aperfeiçoamentos. Há dúvidas quanto a alguns
procedimentos, explicou o conselheiro.
Fonte: CorreioWeb
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
CNJ debaterá proposta de nacionalizar concurso para Juiz
Added Jan 6, 2010,
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