Rocha Mattos admitiu atuar sem permissão; 'É um escárnio', diz presidente da Ordem
A
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai processar o ex-juiz federal
João Carlos da Rocha Mattos por advogar ilegalmente. Ao Estado, Rocha
Mattos, principal alvo da Operação Anaconda, deflagrada há 10 anos,
admitiu que está advogando, embora ainda não tenha recebido de volta a
carteira da OAB. Ele ingressou na carreira em 1975 e se desligou no ano
seguinte quando passou em concurso para delegado federal.
Para
assinar suas peças, afirmou que conta com a ajuda de um advogado
devidamente inscrito na OAB. Ontem mesmo, a OAB/São Paulo oficiou o Ministério Público Estadual solicitando providências contra eventual exercício ilegal da profissão por parte de Rocha Mattos.
"As
alegações contidas na reportagem, em tese, configuram crime de
exercício ilegal da profissão", explica o presidente da Comissão de
Fiscalização e Defesa da Advocacia, Aries Gonçalves Júnior.
No
ano passado, Rocha Mattos solicitou sua reinscrição nos quadros da
OAB/SP e seu pedido ainda está em análise. "As declarações do ex-juiz
federal são inadmissíveis porque afrontam os princípios estabelecidos no
Estatuto da Advocacia", enfatizou Marcos da Costa, presidente da OAB
paulista.
Para o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, as
declarações do ex-juiz são evidência inegável do exercício irregular da
profissão. "O ex-juiz reconhece publicamente que está advogando por
interpostas pessoas, ou seja, que voltou a cometer novo ilícito penal.
Esse reconhecimento é um escárnio, uma agressão à sociedade, sobretudo
vindo de um juiz que foi condenado e acabou afastado de sua classe pelo
cometimento de crimes."
Carta na manga. Rocha Mattos disse que
não vai recuar. "Vou insistirem reaver minha carteira até porque tenho
uma carta na manga: outros condenados na Operação Anaconda que advogavam
estão exercendo a advocacia normalmente, sem nenhum veto ou restrição",
afirma.
Ele anota que um delegado da PF, hoje aposentado, também
condenado na Anaconda, já pegou sua carteira da Ordem. "Eu estou
tranqüilo, pronto para responder (à representação da OAB). Tenho certeza
que quem provocou isso é um covarde, mas ele não vai assinar nada. Isso
para mim é uma brincadeira. Não tem como vetar, até porque não vão
nunca conseguir provar que fiz alguma audiência. Quando alguém me
procurava eu passava para o advogado. No site da OAB minha matrícula
continua lá, ativa. Para mim eu estou advogando mesmo, só que não assino
em meu nome. Eu posso fazer."
"Hoje em dia eu advogo para mim,
eu faço serviço, tenho um advogado que assina junto comigo, que assina,
mas eu trabalho, nos meus casos", afirma o ex- juiz, que ficou preso
anos em regime fechado. "Faço tudo, tudo, tudo. Eu posso fazer isso
porque ninguém melhor que eu para conhecer tudo o que aconteceu. Por
menos brilhante que eu seja, tenho 7 anos como delegado federal, dois
como procurador da República e mais de 20 anos como juiz. Sou obrigado a
conhecer um pouco dessa área, não é? Para mim eu vou advogar na Justiça
Federal, no Superior Tribunal de Justiça, no Supremo Tribunal Federal.
Agora, se eu vou ter outros clientes que tenham processo na Justiça
Federal eu vou advogar onde for, sempre na área penal, porque é onde eu
tenho uma experiência enorme."
(O Estado de S. Paulo)
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
OAB acusa ex-juiz de advogar ilegalmente
Added Jan 6, 2010,
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