Com a retomada dos trabalhos do Congresso em fevereiro, senadores,
deputados e especialistas discutirão importantes mudanças em mais de um
terço dos 17 principais códigos legais brasileiros. O mais antigo entre
os seis que podem ser alterados mantém até hoje dispositivos da época de
dom Pedro 2º. Trata-se do Código Comercial, de 1850, que ainda cita
prerrogativas a embarcações dos "súditos do Império".
A ideia é
negociar sua modernização, permitindo, por exemplo, que toda a
documentação empresarial seja mantida em meio eletrônico, dispensando o
uso de papel. A revisão também atingirá os códigos Penal, de Processo
Penal, de Processo Civil, de Direito do Consumidor e Eleitoral. Repletas
de polêmicas, as propostas ainda esbarram na falta de consenso.
| Revisão atinge códigos Penal, de Processo Penal, de Processo Civil, de Direito do Consumidor, Comercial e Eleitoral |
Cinco das seis reformas em debate foram patrocinadas pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele só não sugeriu a discussão de um novo Código Comercial - ideia lançada pelo PT na Câmara, com aval do governo.
Para quase todas as atualizações dessas leis, Sarney convidou especialistas de cada área e pediu que recomendassem ajustes e inovações.
A reforma do Código Penal é considerada a mais problemática. Foi alvo de críticas da OAB e de outras 19 entidades, que pediram a paralisação da proposta - hoje em discussão em uma comissão especial de senadores. O argumento é que há distorções no novo texto. Uma delas seria a punição de até quatro anos de prisão para quem agredir um animal, enquanto a pena para quem omitir socorro a uma criança é de seis meses.
O projeto teve mais de 350 emendas. Entre os pontos discutidos, a descriminalização do porte de drogas e a criminalização da homofobia. O Senado deve realizar audiências públicas nos Estados até abril. O texto pode ser votado em plenário em junho.
Entre as mudanças previstas no Código de Processo Civil está a fixação de prisão em regime semiaberto para quem não pagar pensão. Já a reforma do Código de Defesa do Consumidor busca fixar normas para o comércio eletrônico e medidas de combate ao superendividamento.
Para a transformação do Código Eleitoral é analisada, por exemplo, a criação de limites para gastos e doações de campanha.
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