O presidente da Ajuris (Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul), Pio
Giovani Dresch, considerou a denúncia do Brasil à CIDH (Comissão
Interamericana de Direitos Humanos) da OEA (Organização dos Estados
Americanos) uma alternativa para o problema do sistema penitenciário no
estado.
Entidades de direitos humanos denunciaram o Brasil à CIDH, ante a
“grave situação” do Presídio Central de Porto Alegre, na capital do Rio
Grande do Sul, apontado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do
Sistema Carcerário, da Câmara dos Deputados, como o pior presídio do
país.
“Achamos que é uma medida legítima [e] que a busca por este caminho
pode se apresentar, talvez, como uma alternativa, como foi em outras
situações, como, por exemplo, a que ensejou a Lei Maria da Penha,” disse
Dresch à Agência Brasil, por telefone.
Dresch acredita que a denúncia pode contribuir também para o debate
sobre a questão prisional no país. “A nossa expectativa é que a partir
dessa internacionalização da discussão sobre a situação do Presídio
Central, que é similar à situação dos outros presídios, que nosso país
passe a ter um outra abordagem sobre a questão prisional,” disse.
A denúncia foi apresentada por oito entidades que compõem o Fórum da
Questão Penitenciária. O documento entregue à OEA apresenta fotos da
unidade prisional e depoimentos de presos. Ele também solicita a adoção
de 20 medidas cautelares, de caráter imediato e outras definitivas. Os
denunciantes querem que a Organização dos Estados Americanos pressione a
União para intervir no estado visando à correção dos problemas.
“A primeira questão é a redução do número de presos para que seja
observada a real capacidade do presídio central”, disse. Atualmente o
Presídio Central possui 4.083 detentos, mais que o dobro da sua
capacidade (1.984). Dresch diz que a redução do número de presos não
deve acarretar na lotação de outras casas prisionais no estado,
“principalmente na grande Porto Alegre, que estão superlotadas”.
Outros pontos dizem respeito à separação dos presos provisórios e
condenados e adoção de medidas mínimas de saneamento, de engenharia e
saúde.
“A situação do Presídio Central de Porto Alegre é uma situação grave de
muitos anos. Desde 1995 ocorrem interdições judiciais, […] e esse
quadro não mudou ao longo dos anos. Ao contrário, as condições físicas
do prédio se agravaram muito. As condições de esgoto, saúde são as
piores possíveis. Parece uma masmorra medieval,” disse Dresch.
O presidente da Ajuris disse que as entidade vão aguardar a resposta da
CIDH e que a comissão vai interpelar o governo brasileiro sobre a
questão. “Evidentemente a CIDH vai interpelar o governo brasileiro para
que se manifeste sobre este pedido, provavelmente vai haver um espaço de
negociação, de busca de soluções. Se não houver uma solução é possível
inclusive que a comissão acabe levando a questão para a Corte
Interamericana de Direitos Humanos,” disse Dresch.
Nesta quinta-feira (10/1), o secretário de Susepe (Segurança Pública do
Rio Grande do Sul), Airton Michels, anunciou, a construção de um
presídio com 529 vagas na cidade de Venâncio Aires, no Vale do Rio
Pardo. A obra deve começar ainda no primeiro semestre deste ano, sendo
entregue no início de 2014. Além do presídio para o regime fechado, o
secretário anunciou que será construída na mesma área uma unidade para o
semiaberto, com capacidade para 150 vagas.
Michels também anunciou a adoção de tornozeleiras eletrônicas nos
presos do regime semiaberto. Até o final do mês a Susepe deve iniciar o
treinamento com os servidores que irão monitorar os presos. A partir de
fevereiro, 400 equipamentos serão colocados em detentos do regime
semiaberto com trabalho externo, com aumento gradativo até atingir 4
mil, em 2015.
Fonte: Última Instância
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Denúncia do Brasil à OEA é alternativa para resolver questão prisional no estado
Added Jan 6, 2010,
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