Com o Congresso em recesso branco por causa da conferência Rio+20,
comissão especial da Câmara aprovou nesta quarta-feira, 20, proposta de
emenda constitucional com potencial explosivo para as contas públicas. O
projeto acaba, na prática, com o teto salarial dos servidores públicos
não só da União mas também dos Estados e dos municípios. Retira ainda o
poder do presidente da República de definir o maior salário pago pela
administração pública no País. Essa função, pela proposta, será
exclusiva do Congresso, sem a necessidade de passar pela sanção ou veto
do Planalto.
A proposta ainda vincula os salários dos
parlamentares aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal
(STF). Com isso, toda vez que o Congresso aprovar aumentos salariais
para os magistrados, eles serão repassados automaticamente para os
deputados e senadores sem o desgaste político de votar um outro projeto
concedendo o autorreajuste. A "carona" é extensiva a outras autoridades.
O texto fixa o mesmo salário para os três Poderes. Serão também
beneficiados o presidente e o vice-presidente da República, os
ministros de Estado, o procurador-geral da República e o defensor
público-geral federal. O salário do ministro do Supremo e do
procurador-geral tem efeito cascata em toda a magistratura.
Antirreforma.
O projeto aprovado precisa ser votado em dois turnos pelo plenário da
Câmara antes de seguir para o Senado. A proposta, na prática, coloca por
terra as reformas administrativas dos governos dos presidentes Fernando
Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, realizadas para frear o
pagamento de salários dos marajás do serviço público e tentar impor
limites de gastos com o funcionalismo.
Ainda não há um cálculo
fechado sobre o tamanho do impacto nas contas públicas que tal projeto
causará caso passe em definitivo pelo crivo dos parlamentares.
A proposta foi aprovada na comissão especial ontem por unanimidade, em reunião que durou pouco mais de meia hora.
Interlocutores
do governo no Congresso foram surpreendidos e consideraram que houve um
golpe dos deputados, aproveitando o esvaziamento da Câmara nesta
semana. Essa foi a segunda reunião da comissão especial que analisa o
projeto, instalada em 10 de maio passado.
Entre mudanças de
artigos e revogação de outros, a proposta do relator, deputado Mauro
Lopes (PMDB-MG), permite o acúmulo de pagamentos de várias fontes -
incluindo aposentadoria, salários, benefícios, decisões judiciais - para
o servidor público, mesmo que a soma exceda o teto, igual ao valor do
subsídio dos ministros do Supremo, atualmente de R$ 26.723,13. O texto
aprovado retira ainda os limites atuais para o salário dos servidores
estaduais e municipais, mudando a regra constitucional.
A Constituição
(no inciso XI do art. 37) estabelece como limites para os servidores do
Executivo municipal o salário do prefeito. Para os estaduais, o do
governador. No Legislativo, o limite é o salário do vereador ou do
deputado estadual e há ainda a limitação do salário do desembargador do
Tribunal de Justiça como parâmetro no âmbito do Poder Judiciário, com
aplicação também para membros do Ministério Público e a defensores
públicos.
"Correção". O relator afirmou que a proposta corrige a
falta de isonomia atual entre os funcionários públicos. "Não se
constata razão suficiente para diferenciar os servidores estaduais e
municipais dos federais. Se há um teto remuneratório, ele deve ser o
mesmo, qualquer que seja a esfera de governo, até para que a própria Constituição
não entre em contradição", argumentou Lopes, repetindo a justificativa
apresentada pelo deputado João Dado (PDT-SP), autor do trecho adotado
pelo relator.
Fonte: JusBrasil
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Comissão da Câmara aprova emenda que acaba com tetos salariais no País
Added Jan 6, 2010,
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