Prováveis autores de 8.287 homicídios cometidos em 2007 e em anos
anteriores vão agora prestar contas desses crimes. Eles foram
denunciados à Justiça e serão julgados pelo Tribunal do Júri. Esse é um
dos resultados do trabalho coordenado pela Estratégia Nacional de
Justiça e Segurança Pública (Enasp), que, entre abril de 2011 e abril de
2012, mobilizou promotores de Justiça, delegados, peritos e juízes das
27 unidades da federação na análise de inquéritos sobre homicídios
instaurados até 31 dezembro de 2007 e ainda sem solução. Essas
investigações estavam sem perspectiva de conclusão e a tendência era que
os crimes prescrevessem pelo decurso do tempo.
Este trabalho é
resultado de uma atuação conjunta entre o Ministério Público e Polícia
Civil em todo o Brasil. Diante disso, o coordenador do Centro de Apoio
Operacional das Promotorias Criminais, Execução Criminal e Controle
Externo da Atividade Policial do Ministério Público do Estado do Ceará
(CAOCRIM) e gestor da Meta 2 no âmbito da instituição, promotor de
Justiça Antônio Iran Coelho Sírio, afirmou que os números do Ceará
refletem o esforço concentrado dos Promotores de Justiça e Delegados de
Polícia Civil, para ao alcance dos objetivos da Meta 2 da Enasp "em que
pese as dificuldades de ordem material, destacando a importância da
integração operacional entre o órgãos da Segurança Pública e do Sistema
de Justiça."
O gestor estadual da ENASP no âmbito do MP,
enfatiza que o trabalho desenvolvido foi criterioso na busca de elucidar
os homicídios e não apenas na conclusão formal dos Procedimentos de
Investigação Criminal. Assinada em fevereiro de 2010 pelos Conselhos
Nacionais do Ministério Público (CNMP) e de Justiça (CNJ) e pelo
Ministério da Justiça, a ENASP tem entre suas metas a conclusão dos
inquéritos sobre homicídios instaurados até 31 de dezembro de 2007. Além
das mais de oito mil denúncias, a mobilização em torno da Meta 2
resultou na finalização de 43.123 inquéritos, em 108 mil baixas para
diligências e em cerca de 150 mil movimentações dos procedimentos.
Os
dados estão no relatório "Meta 2: A impunidade como alvo", divulgado
pelo Grupo de Persecução Penal da ENASP nesta quarta-feira, 13 de junho,
na sede do CNMP em Brasília. No Ceará, o cumprimento da Meta 2 da ENASP
mobilizou um esforço integrado de atuação entre Ministério Público e
Polícia Civil. As instituições articularam um trabalho conjunto visando
alcançar a conclusão, com resolução, dos inquéritos parados. Conforme o
levantamento inicial, existiam, ao todo, no Estado 1.394 Inquéritos
Policiais sem solução referentes a homicídios ocorridos até 31 de
dezembro de 2007. O trabalho conjunto resultou na revisão e nova análise
de 1.336 autos. Deste total, 725 foram baixados para novas diligências.
Dos 611 inquéritos considerados concluídos, em 155 deles houve o
oferecimento de denúncia contra os acusados identificados, 46 resultaram
em desclassificação e 410 foram arquivados.
A primeira etapa do
trabalho foi o levantamento nacional do número de inquéritos inscritos
na Meta. "A missão foi extremamente dificultada pela inexistência de
mecanismos uniformes de registro e acompanhamento das investigações
pendentes no país e pela desigualdade em termos tecnológicos", explica
Taís Ferraz, a conselheira do CNMP e Coordenadora Nacional do Grupo de
Persecução Penal da Enasp. Em alguns estados, dada a falta de
informatização, a contagem foi manual. Ao fim do levantamento,
descobriu-se um total de 134.944 inquéritos na Meta 2.
Elucidação dos crimes
Nos
43,1 mil inquéritos já finalizados, chegou-se a um índice de 19% de
denúncias, número maior que o dobro da média nacional, que oscila entre
5% e 8%. De acordo com o relatório, o resultado é relevante, já que, em
inquéritos tão antigos (alguns da década de 90), há dificuldade na
localização de testemunhas e os elementos de prova tendem a desaparecer
ou perder seu potencial de esclarecimento do fato.
Em alguns
Estados, o esforço integrado de investigação da Meta 2, associado a
fatores relacionados às características específicas dos homicídios,
permitiu alcançar índices de denúncia que vão de 50% (Piauí) a 86%
(Pará). "Esse percentual tem registrado crescimento permanente e a
tendência é que o volume de denúncias aumente na medida em que sejam
concluídos os inquéritos que estão sob realização de diligências nas
delegacias", diz o relatório.
Concluídos
Acre, Roraima,
Piauí, Maranhão, Rondônia e Mato Grosso do Sul alcançaram os melhores
resultados no cumprimento da Meta 2 da Estratégia Nacional de Justiça e
Segurança Pública (Enasp). O Acre teve o melhor desempenho, com 100% de
inquéritos concluídos. Roraima, Piauí e Maranhão tiveram,
respectivamente, 99,58%, 98,14% e 97,36% das peças finalizadas, enquanto
Rondônia e Mato Grosso do Sul ficaram com 94,67% e 90,24%.
Foi
definido que, para ter a meta cumprida, seria necessário concluir 90%
dos inquéritos levantados inicialmente. O ponto de corte foi
estabelecido para não estimular, de qualquer forma, o arquivamento de
investigações ainda viáveis. Os Estados com pior desempenho na execução
da Meta 2 foram Minas Gerais (3,24%), Goiás (8,09%) e Paraíba (8,83%). O
relatório analisa a situação dos Estados a partir de conjunto de
indicadores levantados na execução da Meta 2, incluindo propostas de
monitoramento e de medidas para melhorar o desempenho.
Continuidade da meta - inquéritos instaurados até 2008
Para
este ano, a meta vai englobar, além do estoque remanescente de
inquéritos de 2007, aqueles instaurados até dezembro de 2008 e sem
conclusão. Os gestores estaduais da Meta 2 da Enasp terão um ano para
identificar a quantidade de inquéritos nessa situação, separá-los dos
demais e retomar do ponto onde pararam. "A proposta para os inquéritos
da nova Meta 2 é ampliar este monitoramento, para que seja possível a
obtenção de dados mais sofisticados sobre as principais causas de
arquivamento e causas dos próprios crimes de homicídios", diz o
relatório.
Fonte: Ascom
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Meta 2 da Enasp resulta em mais de 8 mil processos de homicídios ao Tribunal do Júri
Added Jan 6, 2010,
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