MP leva em conta a proteção ao meio ambiente e a inclusão social. Os argumentos do governo de que a Medida Provisória (MP 571/12 ) que altera o novo Código Florestal (Lei 12.651/12 )
é um avanço, pois ao mesmo tempo consolida os textos anteriormente
aprovados na Câmara e no Senado e beneficia o produtor rural, não
convenceram parlamentares ligados ao agronegócio. Boa parte dos
deputados e senadores que compareceram, nesta terça-feira (26), à
audiência pública da comissão mista que analisa a MP continuam achando
que os agricultores, que têm perfis diferentes conforme a região do
País, serão os grandes prejudicados.
Quatro ministros - do Meio
Ambiente, Izabella Teixeira; da Agricultura, Mendes Ribeiro; do
Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas; e das Cidades, Aguinaldo Ribeiro ,
além de técnicos do Executivo, vieram ao Congresso apresentar os
critérios que embasaram a medida provisória apresentada para cobrir
lacunas deixadas por vetos da presidente Dilma Rousseff ao novo Código Florestal. São 32 alterações , das quais 14 se referem a partes resgatadas do texto aprovado pelo Senado e depois modificado pelos deputados.
Izabella
afirmou que o governo levou em consideração a proteção do meio
ambiente, a inclusão social e a produtividade sustentável ao elaborar a
medida provisória, que estabelece uma escala para a recomposição de
áreas degradadas nas margens de rios de acordo com o tamanho da
propriedade.
Em outras palavras, a MP estabelece
responsabilidades maiores para os grandes proprietários e menores para
os pequenos, que totalizam 90% dos imóveis rurais do País. Você compensa
socialmente para compensar ambientalmente nas grandes extensões, disse a
ministra. A MP não anistia quem cometeu crime ambiental, traz todos
para dentro da lei, leva ao incremento da produtividade agrícola.
Faixas
Por
esse motivo, Izabella Teixeira descartou mudanças no escalonamento de
faixas, como querem alguns parlamentares. A senadora Kátia Abreu
(PSD-TO) sugeriu o estabelecimento de faixas de 15 metros para
recomposição da mata ciliar em médias propriedades, nos rios com até 10
metros de largura. Os 15 metros para a média e a grande propriedade já
haviam sido votados pela Câmara e pelo Senado. Grande parte dos rios do
Brasil tem até 10 metros, disse. A MP prevê faixas de 20 metros nos
casos de propriedades médias.
Sobre esse assunto, o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA),
Vicente Andreu Guillo, destacou que é preciso proteger principalmente
os pequenos rios localizados nas grandes propriedades. Segundo ele, 75%
desses rios estão nos grandes imóveis e são eles que alimentam os
grandes rios.
Em outro ponto do debate, Izabella defendeu a
proteção dos mangues, com restrições para a prática de carcinicultura
(criação de crustáceos). A medida provisória permite que apicuns e
salgados (áreas próximas aos mangues) sejam utilizados em atividades de
carcinicultura e salinas, desde que observados diversos requisitos.
APPs
Por
sua vez, o ministro Aguinaldo Ribeiro destacou o reconhecimento, pela
MP, das APPs urbanas. Outro detalhe, apontou ele, é a permissão de
atividades nessas áreas, com o intuito de preservação, mas de uso pela
sociedade.
Leonardo Prado Valdir Colatto: MP criminaliza o agricultor em 20 ponto do Código Florestal.
Pepe Vargas também ressaltou o conceito de área rural consolidada, de
forma a permitir o desenvolvimento de atividades em APPs. As regras de
recuperação de áreas degradadas previstas na MP, com exigências
diferentes conforme o tamanho da propriedade, explicou o ministro, vão
permitir a recomposição de até 30 milhões de hectares de vegetação
nativa suprimidos do País. Estamos convictos de que essas regras não
inviabilizam a agricultura, a pecuária, os proprietários rurais. Elas
permitirão a produção de alimentos pela agricultura brasileira,
inclusive com excedentes para exportação, defendeu Pepe Vargas.
Na
avaliação do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), no entanto, a MP
criminaliza o agricultor em 20 pontos do código. O foco é o agricultor
porque a floresta está na área rural. Não sabemos qual vai ser o impacto
dessa lei, mas é assim que se faz lei no Brasil, criticou.
Por
sua vez, o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) pediu mudanças nos
critérios de proteção das várzeas. Nós já tínhamos ajustado que as
várzeas estavam fora das APPs, já tínhamos acordado com o próprio
governo e a presidente vetou esse item. Segundo dados da Embrapa, pode
haver até 29 milhões de hectares com várzeas em todo o Brasil."
Segurança jurídica
O
ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro afirmou que a MP restabelece a
segurança jurídica para o produtor. Alguns parlamentares, porém,
disseram que a segurança não está garantida e a medida pode ser
questionada na Justiça. A minha preocupação é querer fazer aqui, em
Brasília, um código para o Brasil inteirinho. Vai cair tudo no
Judiciário, observou o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP).
O
deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que relatou o novo código na Câmara,
ressaltou a necessidade de a União criar apenas normas gerais em relação
ao assunto e os estados e municípios, regras específicas. Já o deputado
Afonso Florence (PT-BA) reivindicou a elaboração de regras nacionais.
Em sua opinião, o texto pondera as diferentes posições.
Íntegra da proposta: MPV-571/2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
MP do novo Código Florestal: governo não convence ruralistas
Added Jan 6, 2010,
Autor: Agência Câmara
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