Sete anos após o caso vir à tona, os réus do mensalão vão a julgamento
em 2 de agosto. Embora o parecer do revisor do processo, ministro
Ricardo Lewandowski, tenha sido concluído nesta terça-feira, 26, o
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto,
preferiu só publicar o ato hoje no Diário de Justiça - e não em edição
extra - para evitar ações de impugnação. A lei exige 24 horas de prazo
para as partes tomarem conhecimento da data do julgamento e mais dois
dias entre a publicação da pauta e a sessão de abertura dos trabalhos.
Como o STF entra em recesso na segunda-feira, não será possível
iniciar o julgamento no dia 1.º, como queriam os ministros. O tempo que
Lewandowski levou para liberar o processo provocou mal estar com os
colegas e troca de farpas entre ele e o presidente da Corte, que ontem
se mostrou aliviado. "Com a liberação (do voto do revisor), finalmente
está definido o cronograma de julgamento da ação penal 470, embora com
um dia de atraso", disse Ayres Britto.
O cronograma adotado por Lewandowski na liberação do voto-revisor
indica que ele "mergulhou" no processo, descendo ao mérito das questões.
Nos bastidores, a avaliação é que o ministro tenha construído um voto
que faça reparos ou que se mostre alternativo em aspectos centrais ao
voto do relator, ministro Joaquim Barbosa.
Ayres Britto disse que consultou vários ministros, a começar pelo
relator do processo, e a avaliação consensual foi de que o STF não
deveria publicar uma edição extra do Diário de Justiça para divulgar o
voto do revisor. "Não seria conveniente para não ensejar alegações de
casuísmos e, por consequência, de nulidade processual", disse. Houve
quatro publicações extras em 2012; nenhuma sobre matéria penal.
Das tripas coração. Sob forte pressão interna, do
meio político e até de redes sociais, Lewandowski liberou ontem à tarde,
após seis meses, o voto-revisor da ação penal, cuja denúncia foi
oferecida em março de 2006 pela Procuradoria-Geral da República .
"Foi o voto mais curto da história do STF. Fiz das tripas coração
para respeitar o que foi estabelecido pela Suprema Corte", enfatizou
Lewandowski. O ministro evitou prosseguir na polêmica do dia anterior
com Ayres Britto, que lhe fez cobrança explícita, via ofício. Também por
ofício, Lewandowski disse nunca ter "atrasado nem adiantado julgamentos
para não instaurar odioso procedimento de exceção".
Segundo o revisor, pareceres em processos criminais intrincados
costumam demorar mais tempo. "A média por réu é de seis meses", disse.
Lewandowski negou que a pressa tenha prejudicado a qualidade do trabalho
e afirmou ter experiência suficiente para suportar pressões. "Sou
magistrado há mais de duas décadas", lembrou. Disse ainda que
posteriormente vai apresentar seu voto detalhado em cima do relatório
final do ministro Joaquim Barbosa, concluído em dezembro de 2011.
Réus. Investigações da Polícia Federal e de uma CPI criada pelo
Congresso em 2005 revelaram a existência de um esquema de compra de
votos de parlamentares e partidos em troca de apoio político ao governo
no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A
denúncia foi apresentada e aceita pelo STF em agosto de 2007. Um total
de 38 pessoas figuram na lista de réus. Entre eles estão o ex-ministro
José Dirceu (Casa Civil), apontado como cabeça do esquema, políticos,
empresários e altos dirigentes do PT e de partidos da base aliada.
Eles vão responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro,
evasão de divisas, peculato e formação de quadrilha. Originalmente, o
MPF denunciou 40 réus, mas um morreu (o ex-deputado José Janene) e outro
fez acordo para cumprir pena alternativa (o ex-secretário-geral do PT
Silvio Pereira). O atual procurador-geral, Roberto Gurgel, pediu a
absolvição de dois outros réus dos autos - um deles é o ex-ministro Luiz
Gushiken (Comunicação do Governo).
Foram mantidos como réus o ex-presidente do PT José Genoino, o
ex-tesoureiro Delúbio Soares e o marqueteiro Duda Mendonça, além do
publicitário Marcos Valério, apontado como operador financeiro do
mensalão.
Fonte: Estadão
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Revisor libera voto e Supremo começa julgamento do mensalão em 2 de agosto
Added Jan 6, 2010,
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