A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) lançou
manifesto em defesa do poder do Ministério Público de fazer
investigações criminais. A associação também aponta o risco de
retrocesso no sistema penal brasileiro caso essa função seja derrubada.
O poder do MP de promover investigações criminais está em xeque tanto no Senado, através da Proposta de Emenda Constitucional 37,
quanto no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa o recurso de um
réu pedindo que somente as polícias federal e civil possam fazer
apurações na área penal.
Na semana passada, o STF começou a
julgar o recurso movido por Jairo de Souza Coelho, ex-prefeito de
Ipanema, no interior de Minas Gerais, contra o MP daquele Estado.
Coelho
foi denunciado por não cumprir decisão do Tribunal de Justiça de pagar
precatórios, mas, em sua defesa, argumentou que os procuradores não
poderiam ter feito a investigação penal, que seria função exclusiva das
polícias.
Até o momento, dois ministros votaram pela limitação
do poder do MP de promover investigações criminais. O julgamento
continua esta quarta-feira.
O presidente da ANPR, Alexandre
Camanho, entregará na terça-feira um memorial aos ministros do STF com
argumentos em defesa da função mais ampla do MP.
"Estou confiante de que o Supremo manterá o poder de investigação, que é uma conquista da Constituição
de 1988, e os ministros do STF conhecem como ninguém o principio da
proibição de retrocesso. Se você tira o MP do naipe de investigadores,
estará contribuindo para um imenso retrocesso no Brasil, com um
avalanche de nulidades de investigações e até condenações", afirma
Camanho.
Em manifesto divulgado esta tarde, a ANPR lista dez
razões para que a PEC 37, de autoria do deputado federal Lourival Mendes
(PTdoB-MA), seja reprovada na Comissão Especial que trata do assunto na
Câmara dos Deputados. A nota se refere à proposta como "PEC da
impunidade".
Segundo a associação, somente no âmbito federal,
mil procuradores da República ficariam impedidos de trabalhar no combate
ao desvio de dinheiro público e à corrupção. Além disso, a PEC
comprometeria investigações de órgãos como Ibama, Receita Federal,
Controladoria-Geral da União, Banco Central, Coaf, entre outros, diz a
nota.
O manifesto ressalta ainda que "condenações recentes de
acusados por corrupção, tortura, violência policial e crimes de
extermínio contaram com investigação do MP, nas quais a polícia foi
omissa."
Para a ANPR, a PEC vai em sentido contrário de modelos
adotados por países desenvolvidos, como França, Espanha e Alemanha. A
nota aponta estudos dizendo que em somente três países a polícia conta
com exclusividade na investigação criminal: Quênia, Uganda e Indonésia.
Fonte: Valor Econômico
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Procuradores lançam manifesto pelo poder de investigação do MP
Added Jan 6, 2010,
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