Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil
Brasília - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está recomendando ao
governo baiano que deixe de abrigar presos em delegacias da região
metropolitana de Salvador e transfira a todos, inclusive os provisórios,
para penitenciárias estaduais.
A desativação das carceragens em
funcionamento na 5ª Delegacia Territorial (Depom) e na 1ª Delegacia
Metropolitana de Barris é uma das sugestões feitas pelo CNJ aos poderes
Executivo e Judiciário baianos para melhoria do sistema prisional
estadual e constam do relatório produzido por dois juízes paulistas que
inspecionaram 19 estabelecimentos penais e delegacias estaduais entre
setembro e novembro de 2011, como parte do Mutirão Carcerário feito no
estado.
Um documento em que a situação do sistema penal baiano é
classificada como caótica foi entregue nesta manhã (9) à presidência do
Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Uma cópia do relatório só deverá
ser entregue amanhã (10) à tarde ao governador Jacques Wagner, por isso a
Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Ressocialização
(Seap) não quis comentar o assunto hoje.
Segundo o coordenador
do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e
juiz auxiliar da presidência do CNJ, Luciano Losekann, algumas das
situações mais graves constatadas durante a inspeção aos
estabelecimentos prisionais foram constatadas nas carceragens
improvisadas nas delegacias policiais da região metropolitana de
Salvador, todas elas superlotadas.
Apesar de recomendar o
fechamento dos cárceres em delegacias, o CNJ reconhece que os presos
provisórios devem ser mantidos separados dos já condenados, destacando a
necessidade de que novas unidades prisionais sejam construídas e que as
já existentes sejam reformadas e ampliadas. Principalmente as que se
encontram superlotadas.
Há imperiosa necessidade de criação de
novas vagas, sobretudo no regime semiaberto. O atual sistema tem
ocasionado um flagrante desrespeito aos regimes prisionais, aponta o
relatório. Hoje, os presos provisórios representam 64% da população
carcerária do estado, um dos mais altos índices do país, segundo o juiz
Losekann, para quem a atual situação é insustentável.
O
relatório também recomenda ao governo estadual que melhore a estrutura
física e orçamentária da Secretaria de Administração Penitenciária e
Ressocialização (Seap); amplie o quadro da Defensoria Pública estadual,
priorizando a atuação desta nas áreas criminal e de execução penal;
transfira imediatamente os condenados que permanecem em regime fechado
mesmo já tendo o direito de cumprir suas penas em regimes semiaberto ou
aberto; compre equipamentos que minimizem os constrangimentos nas
revistas de familiares e conhecidos de apenados, entre outras coisas.
Já ao Poder Judiciário, o CNJ recomenda a elaboração de uma proposta de
lei que permita a criação de novas Varas do Júri em Salvador; criação
de um setor de cálculo de liquidação de penas, o que facilitará que
detentos, advogados, defensores públicos e o próprio Ministério Público
conheçam previamente a provável data para concessão de um benefício, com
maior e mais efetivo controle da Corregedoria Geral de Justiça; maior
esforço das Varas de Execução Penal para detectar e eliminar os casos de
duplicidade de processos.
O CNJ também defende que o Ministério
Público deve acompanhar a execução dos contratos firmados entre o
governo baiano e a iniciativa privada para administração das unidades
prisionais (sistema de cogestão); estudar o ajuizamento de ações civis
públicas e/ou celebração de termos de ajustamento de conduta por conta
da falta vagas no regime semiaberto, saúde, assistência material e
social, entre outros problemas do sistema e apurar as denúncias de
violência praticada por agentes penitenciários, inclusive com relatos de
situações de tortura no interior do cárcere.
Edição: Rivadavia Severo
terça-feira, 10 de julho de 2012
CNJ recomenda fechamento de carceragens em delegacias na Bahia e transferência dos presos para penitenciárias
Added Jan 6, 2010,
0 comentários:
Postar um comentário