Mariana Branco
Repórter da Agência Brasil
Brasília
- Os servidores federais do Distrito Federal vão recorrer até amanhã
(8) da decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
ministro Ari Pargendler, suspendendo o mandado de segurança concedido
pela Justiça Federal que impedia o corte de ponto dos grevistas.
No último dia 24, o juiz federal Flávio Marcelo Borges, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), havia concedido liminar determinando que não houvesse desconto nos salários . Agora, o documento está cassado.
O
Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal
(Sindsep-DF) informou que enviará uma petição ao colegiado do STJ para
tentar reverter a decisão que autoriza o corte de ponto .
A entidade também entrará com recurso no Supremo Tribunal Federal
(STF). A assessoria jurídica já está preparando os dois recursos e
devemos entrar com eles no máximo até amanhã nos dois tribunais
superiores, disse o presidente do Sindsep-DF, Oton Pereira.
Na avaliação de Pereira, o corte de ponto fere o direito à paralisação, assegurado pela Constituição Federal,
o que permitiria recurso ao STF. O que o governo está fazendo é cassar o
nosso direito de greve, tanto por meio do corte de ponto como do
decreto da presidenta Dilma [Rousseff], afirmou, referindo-se ao Decreto
7.777, que autoriza a substituição dos servidores paralisados por funcionários públicos estaduais.
De
acordo com o Sindsep-DF, apesar da decisão do juiz Flávio Marcelo
Borges a favor dos servidores, que impedia a redução dos salários e
determinava a criação de folha suplementar para devolver os valores
eventualmente descontados, muitos chegaram a ter o ponto cortado. A
entidade diz não ter um levantamento da quantidade de pessoas que
tiveram o salário descontado. Tivemos reclamações de vários setores,
afirma Oton Pereira.
Em razão do descumprimento da determinação
judicial, o sindicato fez uma petição ao magistrado apresentando os
contra-cheques dos trabalhadores prejudicados. Na última quarta-feira
(1º), o juiz ordenou a devolução dos valores suprimidos no prazo de 48
horas, em decisão que respondeu à petição incidental do sindicato.
Por
meio de sua assessoria de imprensa, a Advocacia Geral da União (AGU)
informou que essa nova decisão do juiz, dentro do processo do mandado de
segurança, foi juntada ao pedido de suspensão feito ao STJ. Portanto, a determinação do presidente , ministro Ari Pargendler, autorizando o corte de ponto, também a englobaria.
A
servidora Francisca dos Santos Reis, 57 anos, agente administrativa do
Ministério da Saúde, foi uma das grevistas que teve o ponto cortado. Ela
conta que foi descontado em valor referente a 12 dias de trabalho do
mês de junho. A greve começou no dia 18 de junho, e eles cortaram os
dias proporcionais. No salário de agosto não houve corte, acho que
porque já havia a liminar da Justiça, relata.
Para Francisca, a
decisão do governo de autorizar o corte é arbitrária. A greve é um
direito que adquirimos por força de muita luta. Acho um absurdo
descontarem nosso salário, antes mesmo de apresentarem proposta. A
paralisação é legítima, não foi considerada ilegal, opinou a servidora.
Funcionária
do Hospital das Forças Armadas (HFA), instituição que também está em
greve, a técnica em saúde bucal Eliene Ferreira da Silva, 33 anos, não
teve desconto no salário. Pelo que sei, é uma decisão de cada órgão.
Estou solidária aos colegas [que tiveram o ponto cortado] e acho que é
uma retaliação. Querem enfraquecer o nosso movimento, declarou.
Edição: Davi Oliveira
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Servidores federais vão recorrer até amanhã da decisão do STJ que autoriza corte de ponto
Added Jan 6, 2010,
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